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sexta-feira, agosto 26, 2005

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Vermelhos I

Tentei voltar as costas
As costas não falam por mim
A face acompanha a troça
A troça procura um fim
O pescoço segue a face
O peito segue o pescoço
E o ventre que sepulta o fogo, range
(um desses fogos tesos)
O fogo: volante de todos os peitos
A vontade deste tempo pouco
De ir embora do tambor desfeito
Que já não bate
Soluça.

Madrugada

Madrugada... Passa das quatro,
A cidade dorme.
O cansaço deveria ser seu aliado.
Um calor de vozes apresenta o sono,
Você o dispensa,
Pensa que deveria dormir.
Não consegue.
Lá fora torres, latidos, latitudes, direções e trilhas reluzentes.
Uma tosse rasga o silêncio.
Da janela você é terrível, esquecido, solitário.
A publicidade luminosa apresenta o melhor da vida,
Frente à sobrevivência imatura de deuses caducos, fracos, morosos
De seus dias de fé.
O que tentar amanhã que não tentou hoje?
O que Intentar?
O que fazer se é somente nome e sobrenome?
A exclusão dos classificados de domingo agora lhe serve de tapete.
O vizinho caminha nos corredores.
Sua cabeça roda.
E você é o eixo, e talvez você procure crer e rodar,
Ou fingir que não participa da grande roda.
E sua cabeça roda.

sexta-feira, agosto 19, 2005

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pinturas antigas

Incontinência

Por que tenho que conter-me
Diante dos deuses abjetos negar,
conter-me?
Por que, eu pergunto (mas não sozinho),
Não me exilar nos becos sólidos desse céu molhado,
Onde nuvens seminais refrescam as paredes ao redor,
Não flutuam, se atiram simplesmente.
Por que?
Se posso não apenas pisar o chão e olhar o céu,
Mas tocar ambos ao mesmo tempo de cabeça erguida.
Maldita essa eclipse racional,
Abatimento da vontade que se apossa de nós tão jovens,
Como geriátrica doença, vem a vida nos levar.
Por que constituir morada naquelas partes da cidade,
Onde não há nem jardins, nem repuxos, onde há sujeira, mau cheiro,
cães que bebem putrescina, cadaverina e toda sorte de podridão?
Não, chega de conter-me, basta, é hora de contorcer,
É tempo de volúpia, de deitar meu braço e alcançar malícias.
É hora de cair.