Madrugada... Passa das quatro,
A cidade dorme.
O cansaço deveria ser seu aliado.
Um calor de vozes apresenta o sono,
Você o dispensa,
Pensa que deveria dormir.
Não consegue.
Lá fora torres, latidos, latitudes, direções e trilhas reluzentes.
Uma tosse rasga o silêncio.
Da janela você é terrível, esquecido, solitário.
A publicidade luminosa apresenta o melhor da vida,
Frente à sobrevivência imatura de deuses caducos, fracos, morosos
De seus dias de fé.
O que tentar amanhã que não tentou hoje?
O que Intentar?
O que fazer se é somente nome e sobrenome?
A exclusão dos classificados de domingo agora lhe serve de tapete.
O vizinho caminha nos corredores.
Sua cabeça roda.
E você é o eixo, e talvez você procure crer e rodar,
Ou fingir que não participa da grande roda.
E sua cabeça roda.