Incontinência
Por que tenho que conter-me
Diante dos deuses abjetos negar,
conter-me?
Por que, eu pergunto (mas não sozinho),
Não me exilar nos becos sólidos desse céu molhado,
Onde nuvens seminais refrescam as paredes ao redor,
Não flutuam, se atiram simplesmente.
Por que?
Se posso não apenas pisar o chão e olhar o céu,
Mas tocar ambos ao mesmo tempo de cabeça erguida.
Maldita essa eclipse racional,
Abatimento da vontade que se apossa de nós tão jovens,
Como geriátrica doença, vem a vida nos levar.
Por que constituir morada naquelas partes da cidade,
Onde não há nem jardins, nem repuxos, onde há sujeira, mau cheiro,
cães que bebem putrescina, cadaverina e toda sorte de podridão?
Não, chega de conter-me, basta, é hora de contorcer,
É tempo de volúpia, de deitar meu braço e alcançar malícias.
É hora de cair.

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