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quarta-feira, outubro 05, 2005

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Atestado

Eu tento evitar a rima
Esquivar-me
Mas ela sempre vem
Sobrevém
Para tampar buracos
Que os versos não têm

corpo

Sabe o que invejo nas crianças?
Suas mucosas.
São tão acéticas
Sem marcas ou máculas
As nossas não...
Jazem perturbadas
Por micróbios ancestrais
Sofrem preocupadas
Limpezas matinais
É inútil
Já começam a parecer
Com a terra que há de comer

Máximas

Amor
É quando se vê saliva na boca de alguém
E dá vontade de beber
Não amar
É quando sua saliva acaba
De tanto gritar
E a indiferença...
Bom, nunca liguei para ela!

É tudo isso

Estas linhas e garranchos são meus.
No dia em que este caderno sumir ou acabar,
Compro outro
E escrevo mais

No Ônibus

Através do vidro
Vejo a merda da vida
Que é devida
A tudo o que devia crer
Mas duvido

Ainda lá

Dois pivetes brigam
Mas nenhum deles estala socos ou moedas.
As duas meninas da frente se beijam.
Num estalo, vão embora.
A briga acaba:
Não era briga, era despedida.

Situações

Dois perdidos pedem para voltar:
Só um tem coragem de ficar
Um pombo morre no asfalto:
Pneus de carro o sepultam
A curva força um esbarrão:
Um coro de desculpas
Uma árvore tampa a paisagem:>
Um homem reclama da catarata
Três virgens se masturbam:
As roupas estão sem lugar
Colheres caem no chão:
Partem a procissão do banquete
As linhas da página findam:
Há mais o que dizer
Restos de espaços em branco:
O limite é um branco no espaço